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Leia as entrevistas com os candidatos que disputam a presidência da Câmara e a do Senado

Folha Online - 1 ano atrás (02 de fevereiro de 2009 às 02:57 hs.)

da Folha de S.Paulo

O Senado e a Câmara realizam hoje eleições para a escolha de seus respectivos presidentes e integrantes das Mesas Diretoras. No Senado, disputam José Sarney (PMDB-AP) e Tião Viana (PT-AC). Na Câmara, disputam os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Michel Temer (PMDB-SP).

Leia abaixo as entrevistas com cada um dos candidatos.

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06.dez.2007/Folha Imagem

Sarney cedeu a apelos da bancada e oficializou candidatura na reta final

JOSÉ SARNEY - Apesar de ter presidido o Senado em duas oportunidades (1995-1997 e 2003-2005), amanhã será a primeira vez que o senador José Sarney (PMDB-AP), 78, tentará chegar ao comando da Casa por meio de uma disputa de voto em plenário. Em entrevista à Folha, ele explicou por que decidiu voltar ao cargo e como será sua relação com o Planalto.

FOLHA - Se vencer a eleição, voltará ao comando da Casa a dois anos da eleição presidencial. Como será sua relação com o Palácio do Planalto?
JOSÉ SARNEY - Tenho deveres de amizade, partidários e políticos. Mas jamais vou cumprir qualquer coisa em detrimento da autonomia, da independência e da respeitabilidade do Senado.

FOLHA - Como o sr. avalia a possibilidade de voltar ao comando do Senado no momento em que seu grupo político está fora do poder no Maranhão? Seu objetivo é resgatar sua força política?
SARNEY - Não. Eu hoje sou senador pelo Amapá. Hoje a liderança no Maranhão é Roseana [Sarney, sua filha e senadora].

FOLHA - O seu adversário, Tião Viana (PT), tem dito que é o candidato da renovação e que o senhor representa o conservadorismo.
SARNEY - Eu sempre fui um modernizador, tanto como governador e como presidente do Senado. A idade não tem me tornado um homem bolorento. Ao contrário, sempre procurei estar atualizado cada dia mais. Essa maneira de me criticar do senador Tião Viana é uma face que eu não conhecia dele. Nunca o julguei um homem grosseiro.

FOLHA - O senhor ficou chateado com alguma declaração dele?
SARNEY - Os jornalistas é que me repetem essas declarações. Até porque o meu estilo é procurar esquecer de lembrá-las.

FOLHA - Como o senhor viu o apoio do PSDB à candidatura de Tião Viana?
SARNEY - Gostaria de ter o PSDB ao meu lado para enfrentar um ano de grande crise que vem por aí.

FOLHA - Em 2010, o senhor vai estar mais próximo da candidatura do PT ou do PSDB?
SARNEY - Isso não está em pauta agora.

FOLHA - Se eleito presidente, o senhor vai trabalhar contra a participação da Venezuela no Mercosul?
SARNEY - Eu não dei declaração nenhuma recente sobre isso. Os meus pontos de vista estão expressos nos inúmeros pronunciamentos que eu já fiz. Agora, como eu já disse, não vou usar jamais o Senado para cumprir com os meus pontos de vista.

FOLHA - Como o senhor vê o papel do líder Renan Calheiros em sua campanha?
SARNEY - Ele é líder do PMDB, que é o meu partido e que tem a maior bancada no Senado. Ele só exerce sua função de liderança.

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13.jan.2009/Folha Imagem

Na reta final da campanha, cinco partidos decidiram apoiar a candidatura de Tião

TIÃO VIANA - Candidato do PT à presidência do Senado, o senador Tião Viana (AC) disse que sua candidatura rompe com a 'visão patrimonialista do Senado'. Em entrevista à Folha, ele acusou o adversário, o senador José Sarney (PMDB-AP), de praticar uma espécie de "política da esperteza" e reconheceu ter sido pressionado a deixar a disputa. "Mas a nenhum [que fez pressão] eu dei ouvidos", disse Tião, médico de 47 anos.

FOLHA - O senhor foi lançado em dezembro como candidato do Planalto. Por que isso não se consolidou?
TIÃO VIANA - O presidente [Lula] à época pediu ao PMDB que houvesse um equilíbrio partidário no Congresso, com a candidatura da Câmara sendo do PMDB e a do Senado, do PT, o que de pronto o PMDB aceitou. Infelizmente, no outro dia, o PMDB do Senado, através dos seus dirigentes, começou um movimento para desconstituir a minha candidatura. Diante do lançamento formal do Sarney, o presidente se manteve neutro, o que, eu acho, foi uma escolha que ele fez.

FOLHA - Não é ambição demais disputar com Sarney, um ex-presidente, candidato pela maior bancada da Casa?
VIANA - Estamos rompendo com a visão patrimonialista de sucessão no Senado Federal, como se nós vivêssemos ainda na fase do Estado autoritário, onde o presidente tem que encontrar todos os demais senadores de cabeça baixa, curvados, para a ascensão dele. Agora é possível ter disputa, é possível estar defendendo proposições, compromissos. Eu acho absolutamente natural a minha candidatura, a do Sarney, e a de outro que venha a surgir.

FOLHA - O sr. disse que Sarney lhe afirmou cinco vezes que não seria candidato. Como vê este comportamento?
VIANA - É um método de fazer política que eu não me interesso em condenar ou defender. Eu acho que é parte de uma geração que pensa que a política deve ser feita assim, a chamada política da esperteza.

FOLHA - Em algum momento o senhor foi pressionado a retirar sua candidatura?
VIANA - Ah, fui, várias vezes, por setores ligados, eu acho, à candidatura do senador Sarney e alguns setores do governo interessados que a candidatura do senador Sarney fosse viável. Mas a nenhum eu dei ouvidos.

FOLHA - Que setores do governo?
VIANA - Alguns ministros. Eu disse que não falaria mais deste assunto [o ministro trocou farpas com José Múcio, das Relações Institucionais, ao longo da campanha].

FOLHA - O senhor diz ser o candidato da renovação. Pode citar exemplos do que faria?
VIANA - Transparência na gestão, redefinição das diretrizes administrativas, mudança no rito de funcionalidade das comissões do Senado e de distribuição das relatorias das MPs e projetos de lei, e a apresentação de um orçamento transparente.

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14.jan.2008/Folha Imagem

Michel Temer é o candidato oficial do PMDB e tem o apoio de 14 partidos da Casa

MICHEL TEMER - Presidente nacional do PMDB há sete anos e no sexto mandato como deputado federal por São Paulo, Michel Temer, 68, conseguiu o apoio oficial de 14 partidos para disputar o comando da Câmara. Advogado de formação, já foi presidente da Câmara duas vezes (de 1997 a 2001).

FOLHA - O apoio do PSDB, do DEM e do PT está relacionado com as eleições de 2010?
MICHEL TEMER - Não, diz respeito à instituição, à Câmara dos Deputados.

FOLHA - Mas eles estão mirando em 2010?
TEMER - Mas você tem de perguntar a eles. A Câmara está muito madura nesta eleição e este amadurecimento fez com que os partidos pensassem na instituição. Eles querem amparar um presidente para ele ser forte e para que possa sustentar a instituição. Agora, o que cada um está pensando, se vai ser 2010, eu não sei. Pode ser.

FOLHA - Não dá para negar que o PMDB terá força e será muito cortejado em 2010...
TEMER - É por outra razão. O PMDB tem muitas prefeituras, tem o maior número de deputados federais e estaduais, senadores e vereadores. É uma força eleitoral.

FOLHA - Qual seria seu primeiro ato como presidente da Câmara?
TEMER - Tomar posse (risos). A primeira coisa será ver quais medidas provisórias trancam a pauta e tratar de votá-las com a maior rapidez. Depois, vou levar adiante a história da reforma política e a reforma tributária. São dois temas que estão sempre na pauta.

FOLHA - Quando o senhor voltar, a gente gostaria de saber a opinião sobre temas polêmicos, como aborto, união homoafetiva... [Temer entra no carro, para um almoço]?
TEMER - Pode ser depois do dia 2?

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13.11.2007/Folha Imagem

Ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo conta com votos de 70 a 90 deputados

ALDO REBELO - Aldo Rebelo (PC do B-SP), 49, foi presidente da Câmara entre 2005 e 2007. O comunista reúne no próprio gabinete imagens sacras e de líderes políticos como Abraham Lincoln, Mao Tsé-Tung, Simon Bolívar e Teotônio Vilela. Questiona a legitimidade do direito de greve na saúde e na educação. Aldo disputa a eleição pela terceira vez consecutiva.

FOLHA - O senhor acredita que a Câmara é uma Casa em que o parlamentar deve se posicionar com relações a temas polêmicos?
ALDO REBELO - Creio que a Câmara deve trazer para o debate os temas de interesse do país e do povo [citando as reformas tributária e política, o ensino público, a saúde e o último a questão da segurança pública]. E o que se faz? Ficamos discutindo medida provisória, desperdiçando os principais quadros na tarefa inglória de obstruir ou de aprovar MP. Não podemos nos contentar com esse papel. Penso que resolver em uma única medida problemas que se acumulam há décadas é uma ilusão. Temos de ter um programa para ir resolvendo uma coisa de cada vez.

FOLHA - Para esses temas tomarem conta dos trabalhos, o senhor acha que o Executivo precisa colaborar encaminhando menos medidas provisórias?
ALDO - Se a Câmara tiver uma agenda que reúna os interesses da própria Casa, o Executivo será forçado a reduzir a emissão de medidas provisórias ou, em abusando, a retirá-las.

FOLHA - O senhor aposta no voto dos insatisfeitos com o favoritismo do PMDB nas duas Casas?
ALDO - Eu aposto no voto dos que estão satisfeitos com a minha candidatura, em segundo lugar há uma ideia difusa de que não é razoável que um único partido controle a presidência da Câmara e do Senado.

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26.jan.2009/Folha Imagem

Ciro Nogueira é visto como o segundo colocado na disputa pela presidência

CIRO NOGUEIRA - Chamado de "príncipe do baixo clero", Ciro Nogueira (PP-PI), 40, foi deputado duas vezes pelo PFL (atual DEM) e está na terceira legislatura. Advogado e empresário, rejeita as comparações com o amigo e padrinho político Severino Cavalcanti, que, sob denúncias, renunciou à presidência da Câmara em 2005.

FOLHA - O senhor tem medo de perder votos ao ser a favor ou contra o casamento homoafetivo e aborto?
CIRO NOGUEIRA - São temas muito polêmicos e que eu acho que o presidente da Câmara tem de se comportar com neutralidade. Se eu não for eleito, como deputado vou me manifestar. [Revelar minha posição antes da eleição] vai parecer que vou usar a presidência para favorecer ou prejudicar determinada matéria, como hoje acontece.

FOLHA - O senhor é rotulado como representante do baixo clero. O senhor se identifica com o baixo clero e pretende trabalhar por ele?
CIRO - O que você chama de baixo clero, eu chamo de maioria. É lógico que vou trabalhar para que a maioria tenha acesso ao poder de decisão. O plenário não pode ser de uma meia dúzia de pessoas que definem as votações. Muitas pessoas, durante a campanha, passam a conhecer os deputados, até fazem esforço para saber o nome deles e, depois, se encastelam. Eu não vou fazer isso. Em 30 dias quero apresentar uma reformulação geral do funcionamento da Casa.

FOLHA - O senhor aposta no voto de quem, uma vez que há um bloco com 14 partidos?
CIRO - Se o deputado Michel Temer fosse candidato do presidente do sindicato dos partidos, ele já estaria eleito. Nenhum desses partidos se reuniu de uma forma democrática. Se não tivesse sido decisão de uma cúpula, eu estaria preocupado.

FOLHA - Por que muita gente compara o senhor ao fantasma de Severino Cavalcanti?
CIRO - São aquelas pessoas sem argumento que utilizam isso, mas a Casa me conhece.

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